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terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Filmes românticos de Natal... Outra vez?! Tem novidade aqui

 

No final de 2019, eu escrevi um texto sobre filmes românticos de Natal[1]. Lá, conceituei a apreciadora e o apreciador do gênero; fiz uma lista do “corpus pesquisado”; falei sobre as personagens femininas, sobre as crianças e sobre o crush; falei também sobre cenário e sobre o figurino; abordei os enredos pudicos, os beijos só ao final, as famílias de mamãe e papai, poucos divorciados, maioria de viúvos (para os casos de recasamento) e fiz algumas observações sobre as expectativas que temos ao ver esses filmes (assumindo que quem vê é mesmo fã do gênero), sobre o direito da protagonista ao amor, depois de ter dado a volta ao mundo (e às vezes o amor estava bem pertinho desde sempre). Retomo os elementos que me chamaram a atenção naquele “distante” dezembro de 2019. Ao final do outro texto, lancei um desafio até aos descolados: para verem escondidos os filmes românticos de Natal. Possivelmente outras pessoas já haviam escrito sobre o tema, mas eu não tinha lido nada a respeito. O texto de 2019 continua a ser bastante visitado aqui no blog. Depois dele, eu passei os olhos por várias linhas por aí.   

O fato é que eu também dei a minha volta ao mundo e, neste dezembro de 2022, encarei um retorno ao gênero. O canal que me ofereceu as fontes de 2019 oferece este ano oito semanas de filmes românticos de Natal!!! Vamos até o Dia de Reis. Primeiro dado relevante: o período de exibição dos filmes cresceu. Descobri outro canal que exibe um festival e percebi que plataformas pagas de filmes investiram pesado na exibição do gênero, o que corrobora para minha certeza de que os apreciadores e as apreciadoras são muito numerosos/as, quer sejam românticos declarados, quer sejam enrustidos.

Eu empreguei aspas para falar do distante 2019..., porque muito embora só tenham se passado três anos, foram três anos cheios de eventos: o mais importante, a epidemia de covid-19, que matou e mata no planeta. Mas suportávamos o governo de Donald Trump, assistíamos às movimentações da extrema direita pelo mundo, o governo bolsonaro e uma guerra foi deflagrada; ela prossegue, enquanto outras continuaram seu projeto de morte longe da mera curiosidade dos veículos de (des)informação, compradores apenas das manchetes das grandes agências... Nos filmes que pesquisei em 2019, notei a presença dos militares. Eles são apegados às suas famílias e, ao final, “quebram” a resistência das heroínas (que não querem enviuvar, é claro).

Será que os filmes contariam uma história diferente, depois de três anos sofridos? Quando comecei a movimentar meus dedos pelo controle remoto e os olhos pela tela, percebi que os filmes de 2019 continuam a ser exibidos, mas percebi tantos lançamentos e não só de realizações do estúdio Hallmark[2], o campeão do gênero. A Netflix exibiu, mas foi fazer filme romântico de Natal na Polônia! A Amazon exibiu e procurou também não perder o bonde da produção. Esses canais pagos de filmes exibiram e fizeram filmes românticos de Natal.

Eu não cheguei perto da exploração de um corpus como o de 2019. Vi poucos filmes inteiros; a lista ao final é pobre, mas vi trechos relevantes de vários, que abandonei, entre impaciente, ocupada, ou distraída. Procurei especialmente filmes de 2020, 2021 e de 2022. Não vi alusão à covid... Vejam bem, meu corpus foi pequeno, então, não posso generalizar uma conclusão sobre essa ausência.

Eu me volto aos personagens, esse elemento que dá vida aos enredos literalmente. 1ª Surpresa: a presença LG (BTQIA+ ainda não). Os filmes românticos de Natal ampliaram o seu escopo de formas de amar e de gente que ama. O estúdio Hallmark e seus congêneres descobriram que lésbicas e gays existem. Vi um trecho de filme que acabei não levando adiante, protagonizado por um rapaz gay que no começo do filme namora um idiota que o engana. O protagonista vai passar as festas de fim de ano junto à família, sozinho..., mas lá onde a família mora descobre um rapaz – creioemdeuspai, que lindo! – que é tudo de bom. Aleluia! Não sei se casaram, não cheguei ao fim. Em outro filme, um casal de mulheres dá três beijos – lembremo-nos que os beijos dos filmes românticos de Natal são muito contados -. Casais de mulheres e casais de homens aparecem nesses filmes completamente integrados e integradas em famílias gentis, respeitosas, vestidas de suéteres ridículos e adoráveis; elas e eles são bem vindos, decoram as árvores, fazem biscoitos, ouvem música coladinhos/as e têm uma porção de amigos e amigas. Não raro esses amigos e amigas – protagonistas ou não – precisam de seu apoio e conselho para encontrar a felicidade.        

Em 2019, não tinha visto nenhum filme com mulheres que se amam e são respeitadas, ou com homens que se amam e são respeitados por suas famílias e próximos. O que aconteceu? Não tenhamos pressa... Há dois elementos aqui: por um lado, é espetacular que o gênero tenha integrado nas narrativas a diversidade da vida; por outro, não esqueçamos por um minuto sequer que se trata de uma indústria rentável e que muitos homens românticos e muitas mulheres românticas estavam de fora da identificação com os enredos. Então, tratou-se de incluí-los! Não recuando um centímetro da compreensão de que há interesse comercial nessa inclusão, ela, entretanto, cumpre um papel junto ao público que consome essas histórias de gentileza, amizade, neve, bolachinhas coloridas e finais felizes.

Eu falei acima da rigorosa contabilidade dos beijos e fiquei “chocada” com um filme em que, digamos assim, há intercurso..., no meio do filme!!! Cheguei a ficar sem palavras e todo mundo sabe que isso é raro. Nesse filme, cheio de reviravolta, há investigação sobre a origem da protagonista. Ela fora adotada e queria conhecer um pouco mais sobre a genitora, então empreende a busca. Nessa viagem, encontra o herói, um escritor... – belíssimo, claro! (Ah, não se espante: mas vi também um filme com um herói feíssimo, outra inovação!) – que colabora com a busca. Aliás, sua própria família está imbricada na origem da mulher pela qual ele se apaixona. Lembra do texto de 2019, em que deixei claro que as protagonistas femininas têm excelentes CVs? Ora, a protagonista desse filme #românticodenataldeinvestigaçãodeorigens fala quatro idiomas! Depois de 2019, elevamos ainda mais o sarrafo.

Você ficou curiosa ou curioso sobre o herói feio?... Bem, talvez não concorde comigo (duvido...), ele é meio maluco e por duas vezes a heroína berra no taxi. Temos ganas de dizer: Foge dele! Ao lado dela, está a melhor amiga. Isso não mudou um centímetro: filmes românticos de Natal têm os melhores amigos da vida. Mas voltemos aos berros. Ela é super crítica do lado comercial do Natal, e ele é um entusiasta (emprego eufemismo...) do Natal – primeiro berro; ela é uma mãe divorciada (sim, agora, temos mais divorciados. Quem bom que os estúdios compreenderam que não precisam matar nossos ex para recasarmos), com filha pequena e pai ausente. Vive o dilema: conto ou não conto sobre o Papai Noel? Pois o namorado/herói acredita em Papai Noel. Você pensa que é brincadeira? Metáfora? Ele realmente acredita em Papai Noel. É o segundo berro no taxi.

 O melhor desse filme é o melhor amigo do herói. Trata-se de um jovem muçulmano e ele é perfeito nas conversas com a protagonista. Eu adorei isso. Não, não é o politicamente correto elementar, é correto decerto e é suave, bonito. Haver um amigo muçulmano chamado a colaborar com o herói trazendo para essa colaboração a sua identidade é uma coisa que não se via por aí. Ele comemora o Natal? Ora, gente, meus amigos muçulmanos comemoram e dão presentes. A conversa que ele tem com a protagonista – junto ao amor que ela sente pelo herói feio amalucado, claro... – define as coisas. Esse personagem é essencial.

Alguém vai se lembrar que a diversidade racial dos filmes românticos de Natal ficava nos coadjuvantes e figurantes. Pois bem, vi um filme muito fofo com um protagonista negro. Vi outros filmes cheios de casais inter-raciais. Esse filme em especial tem um viúvo, ora... e uma heroína (branca) que tem um namorado (branco) péssimo. Ele a pede em casamento usando um anel que não comprou, mas roubou do herói!!! Estou gritando aqui. O protagonista tem uma filha adorável. Isso não mudou, gente, as crianças continuam adoráveis. A ex do herói é uma mulher preta maravilhosa e muito bacana.

Por que vemos esses filmes? Este ano tive uma companhia inusitada para ver alguns deles. Tratou-se de uma pessoa que brada não ser fã do gênero. Ora, há muitas razões para ver um filme romântico de Natal, incluindo ser companhia do fã ou da fã! O fato é que esses filmes que dão vontade de vestir casacos vermelhos e verdes e depois assar nas cidades tropicais são fofos e... são capazes de se reinventar! Esse é o segredo para o sucesso das tradições: elas precisam se reinventar. Este ano isso foi tão flagrante para mim que precisei extravasar aqui! Muita coisa se mantém e muita coisa foi incorporada porque se trata de uma indústria esperta, atenta aos sinais. Não esqueçamos, porém, que a narrativa que resulta dessa incorporação volta ao público, mostrando a ele que a diversidade astuciosamente representada é não só tolerada como bem vinda à mesa e isso é para mim o espírito da coisa.

Tenho até o Dia de Reis para continuar minhas férias fílmicas, junto a minhas leituras e passeios. Mas quis escrever logo minhas impressões de um gênero que aprecio destemida e despudoradamente. Eu não vi ninguém de máscara nos filmes..., por que esse dado não foi incorporado? Excesso de realidade? Descobri recentemente que existe filme romântico de outono, com guirlanda de outono e tudo! Filme de fazenda de pêra. Não ria... Vai nascer um gênero novo? O sucesso dos filmes românticos de Natal revela qualquer coisa sobre nós e sobre como os produtores percebem novos/nossos anseios. Parte de mim continua a torcer pelo encontro dos heróis ou das heroínas ao final; parte observa, curiosa, a renovação das tradições. O fato é que esses filmes são também um convite para rirmos juntos e juntas dos suéteres, deitados em sofás com cobertas(?) respeitosas das diferentes temperaturas do Brasil. Nesses momentos de pausa, talvez possamos ser até menos econômicos com nosso carinho, afinal os próprios filmes românticos começaram a inovação!  

     

Feliz 2023, gente cinéfila, romântica e leitora!

#filmesromânticosdeNatal 

 

Filmes vistos integralmente (lista pobrinha, comparada à de 2019):

Ele acredita em Papai Noel (2022)

Muito perto para o Natal (2020)

Natal em Coyote Creek (2021)

O Diário de Noel (2022)

Um Natal na Suíça (2022)

Um Natal no Castelo (2020)

Um presente da Tiffany (2022)



[2] Hallmark é também um canal estadunidense.

Essa foto linda foi cedida por um casal apaixonado em férias na Itália, para iluminar meu texto. Detalhe: ela acaba de ser pedida em casamento... Mais romântico que qualquer filme que vi! 

sábado, 26 de dezembro de 2020

Um homem morreu no Natal

 Para Vilelma Pereira Passos Homem

 

 

Em todo Natal morre gente. Em 2013, meu sobrinho João Paulo morreu na madrugada de 22 e 23 de dezembro, na estrada, e o Natal daquele ano foi o mais triste de minha vida. A gente está muito acostumado a falar de nascimento, a celebrar o nascimento de um menino em condições tão adversas, mas todo dia vão embora da nossa companhia em situações/condições que poderiam ter sido evitadas pessoas que amamos e vão embora ainda outras em circunstâncias que ultrapassam (e muito) o poder que julgamos ter.

Uma pessoa muito importante na minha vida morreu no dia 24 de dezembro. Foi a primeira pessoa a escancarar o peito para eu habitar nessa cidade, quando cheguei há quase 23 anos. E eu habitei! Montei casa com piscina, instalei sofá confortável, andei descalça, de túnica leve, não penteei o cabelo, espalhei meus livros amados, minhas conversas, deitei minha cabeça no seu colo, no ombro amigo... Eu vivi em paz. Éramos diferentes... a começar pela geração! Mas como sou menina velha, eu gostava de conversar com aquele velho menino. Eram conversas muito engraçadas. Eu gostava de ouvir suas histórias aventurosas. Ele as colecionava! Dia 24, enquanto jantávamos, a memória dessas histórias foi o meu alimento verdadeiro. Cheio de sabor!

Esse homem amou muito: seus filhos, seus amigos, as mulheres, a minha família, a sua igreja, a vida. Mas, um dia, ele perdeu um grande amor e não quis mais viver. Aí todas as divindades dos céus mais diferentes entraram em acordo só para lhe dar um amor para sempre. Essa mulher também abriu seu peito para eu habitar. Tornamo-nos amigas por causa dele, mas depois não, por nossa causa!, e o que eu mais lamentei ontem, quando o corpo físico do seu homem foi encomendado, foi não ter podido abraçá-la longamente, cantar os hinos que aprenderia na hora, enxugar-lhe as lágrimas e dizer-lhe eu estou aqui para sempre e para você.

Esse homem que morreu foi meu padrinho de casamento; fiador da primeira casa que comprei na vida sem me conhecer bem – aquela casa que dá à gente de origem pobre como eu a ilusão de ter finalmente segurança...-; em sua casa escrevi praticamente minha dissertação de mestrado – afinal ou pagava a casa, ou comprava computadores... -; me diverti em festas; debati política – sem querer sair no pau -; dei tanta risada que eu acho que ele conhecia todos os centímetros do meu sorriso! Esse homem foi meu amigo sincero, o amigo que nunca me pediu nada em troca – nem visitas(!) porque compreendia a mulher ocupada -, uma pessoa em quem eu podia confiar, confiar-me.

Depois do jantar e da troca de presentes no dia 24, já havia falado com a família pelas plataformas digitais que nos permitiram ao menos trocar sorrisos (não reclamo delas por isso!), estava sentada e quase desmaiei no meio da sala. Não sei o que me deu. Assustei a minha filha... Senti uma tristeza infinita que me exigiu ficar na cama praticamente todo o dia 25. Na cama. Os mais próximos sabem que isso ou é estar dilacerada de enxaqueca ou à beira da morte. Sabe quem me tirou de lá? O amor para sempre do meu amigo! Ela me lembrou que ele talvez tivesse decidido assim para aproveitar a ceia de Natal junto às pessoas de quem ele sentia tanta saudade nos últimos tempos... Nos últimos tempos, o velho menino estava de fato mais maduro.

Mas meu amigo morreu de Covid-19. Isso não é uma informação vã. Em todo Natal morre gente, é claro. Todo dia vão embora da nossa companhia em situações/condições que poderiam ter sido evitadas pessoas que amamos, eu escrevi acima. Quando a imprudência matou meu sobrinho, ele não tinha vivido o suficiente para querer reencontrar os seus, os seus estão aqui!!, ele foi morto antes de acumular experiência para sentir saudades.

Não estou mais na cama e estou estarrecida com as imagens do despudor universal. Por todo o lado, o desprezo corrompe a nossa humanidade – não provoco quem despreza essa palavra por relacioná-la à parte de uma história, ou seja, a lê-la da mesma maneira seletiva com que já sua cultura foi lida. Eu provoco os que a usam! O desprezo nos palácios, na praia, nas festas clandestinas... o desprezo nosso à mesa, olhando na cara e bem no olho das pessoas que afirmamos amar. Palavras em banho Maria, para seres de consistência de pudim.

A vacina chegou atrasada, meu amigo. O ano fica mais pobre sem um dos meus feriados: seu aniversário! Meu sorriso perde muitos centímetros. Mas obrigada por esses anos em que morei no seu peito, em casa com piscina, sofá confortável, descalça, túnica...  minha cabeça no seu colo. Obrigada.



Para um homem que adorava cruzeiros (quantas histórias!), um barco da Clarinha. Vai com Deus, tio Heres. Tenho certeza de que até Caronte é capaz de rir na sua companhia.


terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Filmes românticos de Natal para os românticos incuráveis

Abandone as redes sociais e estique-se no sofá por 90 minutinhos. Um certo canal de TV por assinatura anunciou “24 dias cheios de Natal”, ou seja, 24 horas de filmes românticos de Natal em 24 dias. Um prato cheio para os cinéfilos românticos. Presente! Como eu passei metade do mês fazendo de tudo um pouco, raramente consegui ver os filmes todos de uma vez. Mas o canal não prometeu 24 horas de filmes inéditos, então eu me beneficiei das inumeráveis repetições e posso anunciar com certo orgulho que, em 16 dias loucos de tarefas, consegui ver 12 filmes românticos de Natal!!!!!
Um cinéfilo romântico é só um romântico incurável que ama filmes do gênero: alguém que quer avisar o casal quando o equívoco se apresenta; que torce por eles; que não perdoa quem atravessa a cena do primeiro beijo; que suspira internamente quando o ambiente é hostil, ou seja, quando há outras pessoas na sala... Junte tudo isso ao Natal e parece que os problemas, as crises, as decepções são lavados pela neve ininterrupta na tela: neve que eu ou você de fato nunca sentimos no rosto.
O mês de dezembro na nossa Curitiba tem nos dado dias frios: convidativos para um casaquinho e uma coberta. O verão degenerado predispõe o corpo para sentar diante da TV. A filha aprendeu a fazer cookies e eu senti vontade até de preparar chocolate quente! A filha (ainda) detesta os filmes românticos de Natal, pode ser que nunca aprecie ou pode ser só a timidez da pré-adolescência. Na minha, eu escondia bem, mas aos 45 já saí do armário faz tempo!
O melhor de assumir a cafonice é saber que a gente também não abre mão de achar sumamente tosco o rapaz estar pensando na vida ou na morte da bezerra, no meio da rua, debaixo de uma nevasca, com o presentinho que ganhou da moça, e encontrar o patrão para quem ele mentiu metade do filme e que lhe dá, entretanto, uma promoção! Trata-se de “Aplicativo para o Natal”, um tinder para solteiros e solteiras que precisam de companhia em eventos, sem que isso implique romance ou sexo. Ah, antes que você se assanhe, devo esclarecer que não há sexo em filmes românticos de Natal. Temos direito a apenas um beijo no final, no máximo 2: beijinho ou beijinhos muito corretos.
Tem singeleza exagerada nos filmes românticos de Natal, mas isso não refreia o cinéfilo romântico. Na verdade, a gente acha até bonitinho..., é como ter um pinguim bebê na geladeira. Esse texto não julga as (inúmeras) arestas do gênero. Na verdade, enquanto via esses filmes curtinhos (em média 90 min.) e feitos para TV, comecei a pensar nas várias coisas que eles me diziam e achei que isso merecia duas ou três considerações. Se ao final do texto, você não julgar que elas bastam ao menos para um bate papo antes da ceia, pode ao menos não julgar repulsivo alguém que se senta uns 15 minutos (ou mais...) para assistir com o coração na mão a confissão de Candace para a cidade toda, de ter duas mãos esquerdas, enquanto sua mãe é uma espécie de Martha Stewart!!!
 Em 11 dos 12 filmes que vi, encontrei mulheres assoberbadas: comissárias de bordo (Conexão de Natal), escritoras (Uma viagem de Natal), arquitetas (Flores de Natal), empresárias (Um Natal de Cinderela, Aplicativo para o Natal, À Procura de um Papai Noel), atrizes de sucesso (Natal fora de casa), produtoras de TV (Estrada para o Natal), atendentes (12 dias de presentes) e decoradoras (De repente noiva). Decoradoras me lembram Doris Day em “Confidências à meia noite”, filme que eu adorava ver nos finais dos anos com o meu pai. Essas mulheres são boas filhas, superaram em muito as expectativas de suas famílias e, ainda que algumas vezes tenham dúvidas sobre isso, o pai, ou a mãe ou um amigo muito próximo vai esclarecer que elas são demais! Obrigada, roteiristas amáveis.
Essas mulheres – na maior parte dos filmes são elas as protagonistas – não estão procurando um namorado. Elas estão cheias de planos não românticos, elas conhecem o mundo, têm fotos de vários lugares em que já estiveram, mas o amor atravessa a sua vida e ele faz com que elas achem o caminho de volta. Ulisses de saias! Também acham um jeito de acolher o amor na sua vida ocupada. Homens e mulheres se encontram. Eles se veem, reparam nas singularidades um do outro, eles se apaixonam.
Em 11 dos 12 dos filmes, há crianças. Elas têm entre 7 e 10 anos. São meninas e meninos, sobrinhos e sobrinhas, filhas e filhos de viúvos, uma viúva e um divorciado. As crianças são fundamentais, elas mobilizam o “espírito de Natal”. Elas creem em Papai Noel, fazem questão da decoração, espalham a sua pureza pelos quatro cantos onde se agitam adultos engajados nas festividades. Não raro as crianças colaboram para o namoro dos pais: “Conexão de Natal”, “Natal fora de casa”, “12 dias de presentes” e “Uma viagem de Natal”. Em “Um Romance de Natal”, trata-se do romance do tio da criança.
As famílias são todas de mamãe, papai, vovô, vovó, filhos e filhas. Não há duas mães ou dois pais sob o mesmo teto. O rapaz de “Aplicativo para o Natal” é bonitão, mas, se eu fosse a moça, voltava ao aplicativo numa boa e deixaria ele se descobrir. Match.
Os viúvos, a viúva e o único divorciado não namoram há muito tempo. Estão concentrados no trabalho e na criação dos filhos. Na sua agenda, não cabe nem uma quarta-feira com os amigos; na sua memória, não há noitadas ou bebedeiras. São pais sérios e decentes. É a noiva chata de “12 dias de presentes” que sai de casa e deixa o caminho livre para o fofo protagonista! Sim, há mulheres e homens chatos, mas há gente bacana à beça. Maioria. E todos lindos! Oh, glória!        
Em todos os filmes, há amigos. Amigos verdadeiros! Eles podem ser os irmãos e as irmãs, mas há também vizinhos, amigos de infância, do trabalho... Não há canalhas. Obrigada, obrigada! Eles são o ombro amigo, a palavra que falta, a consciência vigilante e o estímulo necessário. O casal precisa deles, do seu empurrão!
Os enfeites enchem nossos olhos e até causam confusão: “Um Natal muito, muito louco”. Há metros de anéis de papel vermelho e verde feitos em casa! Esses filmes devastaram florestas inteiras em busca da árvore ideal. Quem diria que pudessem ameaçar o meio ambiente?! Há muita gemada. Em “À procura de um papai Noel”, a receita! Há sempre muita comida, muito biscoito de gengibre. Se a revista de Liz Livingstone existisse, eu era capaz de fazer assinatura! E a neve? Muita: bonecos de neve, jogos na neve, bolas de neve atiradas carinhosamente, risos de neve.
Os suéteres são ridículos e fofinhos, com aquelas renas, estrelas, trenós... Ninguém pode querer enlaçar de maneira mais ousada uma rena desses, mesmo que envolva um belo talhe ou mesmo quando há um empurrão do roteiro: a protagonista cai nos braços do rapaz, no momento em que ela está colocando um enfeite no mais alto da árvore! Se a memória não me falha, duas protagonistas caíram nos braços dos amados. Mas não tem clima, gente. Rena, trenó, Papai Noel de narizinho vermelho... O vermelho é a cor das mulheres e do Noel! Em “Aplicativo para o Natal”, quando a atriz está vestida de vermelho na cena, ninguém mais está. Mas é vermelho Natal, não paixão, mesmo que sejam bem parecidos...
  Engraçado, esses filmes tão pudicos são muito recentes. Estamos falando de filmes de 2016, 2017 e 2018, sobretudo. Em dois deles, as coadjuvantes esperam seus maridos militares que estão em manobra e chegam para o Natal. Em “Flores de Natal”, o casal espera um novo bebê, ele ainda não sabe... Como assim? Rsrsrs Em “Um Romance de Natal”, é o vídeo da filha pedindo ajuda para organizar uma festa de volta para o pai militar que espoleta os acontecimentos. Suspeito gostos republicanos.   
Há uma coisa que me interessa muito: a oportunidade encontrada pelas mulheres para amar. A comissária de “Conexão de Natal” viu o mundo. Suas fotos encantam a filha do seu amado, um jornalista preso à cidade de Chicago. Ela é uma mulher feliz, realizada e capaz também de estar à vontade entre os membros daquela família que a acolhe no feriado. Compartilha com o pai da menina um enigma: gostaria de saber como os pais de conheceram na cidade de Chicago em que ela mesma nasceu, mas foi embora pequena. Ele é jornalista e está disposto (e interessado...) em ajudar. No Natal, entretanto, ela tem de voar. Lá pelas tantas, escolhe dar meia volta. Atenção: não largar tudo, mas se dar a oportunidade de ficar algumas vezes. O beijo, finalmente! Caso parecido com “Natal fora de casa”, espécie de Um Lugar Chamado Notting Hill. A atriz não larga tudo, ela se dá uma chance e, um ano depois, a gente sabe que ela continua a fazer sucesso e está ainda ao lado do namorado não ator, todos felizes. De todos, ele é o meu favorito. Hummmm...
De uma forma singela, esses filmes cheios de biscoitos, famílias de mamãe e papai, bonecos de neve, árvores cortadas, dizem a nós mulheres – sem dúvida, somos os seus alvos – que dá para ganhar o globo de ouro e ficar com dono do charmoso lodge; que podemos tocar a empresa de eventos do nosso tio e casar com o “príncipe”. Mas esses filmes dizem mais: que no mundo narcisista das selfies, as pessoas podem olhar umas para as outras sem pressa, elas podem se conhecer com calma, podem confiar na possibilidade de uma nova chance, ouvindo os amigos, olhando as crianças e, sem afobação, podem esperar uma nova chance para beijar. Dá-lhe, Pepeu!
Até 24/12, sobraram alguns dias para os filmes românticos de Natal. Os românticos incuráveis nem precisam de convite! Mas os descolados e conceituais também estão autorizados a fazer uma paradinha secreta para rir das pouco lapidadas situações, para sofrer com o equívoco ridículo que nos separa de quem amamos, para se dar a chance de pensar sobre o amor como possibilidade que acolhe e não exclui. Os filmes de Natal estão cheios de tradições inventadas para dar sentido a essa vida cheia de problemas... “Sua honestidade é revigorante” afirmou uma personagem que eu acho que só apareceu em uma cena de filme que ainda não consegui terminar. É uma coisa bonita de dizer, né? Me dá vontade de sonhar com um mundo de figurantes assim!

Feliz Natal, gente romântica, cinéfila e leitora!

Filmes citados e vistos:
1. 12 dias de presentes (12 Days of Giving , 2017)
2. À procura de um papai Noel (Finding Santa, 2017)
3. Aplicativo para o Natal (Mingle All the Way, 2018)
4. Conexão de Natal (Christmas Connection, 2017)
5. De repente noiva (A December Bride, 2016)
6. Estrada para o Natal (Road to Christmas, 2018)
7. Flores de Natal (Poinsettias for Chritmas,2018)
8. Natal fora de casa (Christmas in Homestead, 2016)
9. Um Natal de Cinderela (A Cinderella Christmas, 2016)
10.    Um Natal muito, muito louco (Christmas with the Kranks, 2004) – o mais fora da curva, mais para comédia que romântico de Natal
11.    Um Romance de Natal (Entertaining Christmas, 2018)
12.    Uma viagem de Natal (Christmas Getaway, 2017)

Não é filme de Natal, mas Confidências à meia noite (Pillow Talk, 1969), com Doris Day e Rock Hudson, é simplesmente imbatível! You are my inspiration, Eileen, Marie...  Y¯, para todos os Natais da nossa vida.


Uma pausa

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

O fantasma do pote – uma crônica natalina

A vida doméstica é aquela loucura: todo mundo enlouquece todo mundo pelos maiores motivos ínfimos... Aqui em casa, um dos mais recorrentes motivos desprezíveis são os potes. Tupperware, pote de vidro, pote descartável, mas reaproveitável, potes! Ninguém some com meus potes – motivo que, sei bem, azeda certas famílias. O pote da discórdia! Na minha, não tem isso, pois minha mãe é um inventário vivo de todos os potes: os da casa dela, da casa da irmã gêmea dela, da casa da minha irmã mais velha, da mais nova... Ela não permite que ninguém se engane. O pote da paz!
O problema aqui de casa é mesmo o fechamento. Como sou corredora e praticante de treino funcional, pote que eu fecho não deixa torrada mole! Tenho orgulho. Entretanto, essa prática não tem herdeiros. Vira e mexe, eu encontro meus potes de frutas secas, torrada, manteiga, queijo mal fechados. Alguns já foram ao chão, porque eu, esquecida do mau hábito que habita a casa, segurei-os pela tampa... É melhor me escusar de narrar o que acontece quando esse sinistro se abate. Um pote pronto a explodir.
A discrepância entre a visão de uma última torrada no pote sobre a qual passo carinhosamente a manteiga, depois de chegar esfomeada em casa, e a sua textura mole, sem crocância na dentada, acorda em mim desejos de detetive: Quem foi que deixou o pote aberto?????????????? Ninguém. Eu moro com 2 pessoas, mas nunca são elas. Quem foi o último? Ninguém lembra! Talvez até você, mãe... sugere entre dentes a filha ousada.
Um dia, eu me saí com uma alternativa: Sim, deve ser um fantasma. Todos riram de alívio. Mas eu – que sou pessoa tinhosa – resolvi espremer: eu só não entendo como o fantasma com bracinho de éter, nuvem ou neblina, abre o pote depois que eu fechei(!) e não consegue mais fechar.
Vai ver que a força acaba...

Aí, vocês me param:
- Marcella, essa não era uma crônica natalina?

Eu não enganei ninguém!
Além dos aniversários, com as sobras de bolo e docinhos tão aguardados, quando é que mais circulam os nossos potes? No Natal! Eles levam as rabanadas para o café da manhã de todo mundo; um pouco do arroz doce, da aletria; eles levam pedaços de panetone e salada de frutas. Pote cheio.
Há uma tradição que postula que, na devolução, o pote deve ser entregue com alguma delícia. Nem sempre o meu voltou assim. Nem sempre o pote alheio saiu aqui de casa com novo montante para oferecer a quem me emprestou... Tradições sufocadas pela pressa ou pela hipercorreção. Vai que alguém pense que vou afanar o pote?! O pote da dúvida.
Eu desejo a todos que tenhamos para nossos potes e para dividir. Que nossos potes circulem mais neste Natal sofrido: de desemprego, de cara virada de eleição mal digerida e de tragédia. E que circulem para além da nossa família! Aliás, esqueça o pote se ele não voltar. Talvez ele tenha ido buscar novas mãos de abrir e fechar.
Em todo caso, é bom defumar a casa para espantar os espíritos flácidos que não têm força para apertar as tampas.

Gente, pelo amor..., fecha o pote direito.

Esse pote foi pintado pela minha amiga Vilelma. 
A amizade transborda os potes. 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Sobre ter esperança

Eu comecei esse texto algumas vezes este ano, sem conseguir terminá-lo. Abandonei-o por meses e essa foi sempre a maior ameaça à minha escrita: a dessintonia, nunca a tal falta de “inspiração”. Não escrevo porque estou inspirada, nem travo porque estou sem inspiração. A verdade é que nunca consegui voltar a um texto abandonado e o fato de ter conseguido voltar a este é o primeiro dado de esperança que ofereço às pessoas amigas e generosas que me leem nas 2as pela manhã. Por que não volto aos textos abandonados? Porque sinto quebrar a sintonia no tempo: não reconheço mais aquelas palavras, aqueles personagens, aquele assunto... na pessoa em que me tornei. Acho inclusive que forçar a barra pode ser perigoso: forçar o coração a experimentar sensações ultrapassadas, sabendo que ele pode não discernir bem experiência e memória.
Resolvi voltar ao texto abandonado, porque na semana que passou segui uma sugestão de leitura publicada em TL de pessoa que respeito muito. O texto se chamava “O que fazer com a desesperança”[1] e foi escrito por Bárbara Natália Lages Lobo. Era um texto pequeno, duro, mas corajoso: “Encare a sua desesperança. Enfrente-a com seus sonhos, desejos, com a sua esperança”. Achei uma proposta muito boa e essa possibilidade me fez pensar na que eu tinha querido desenvolver quando abandonei assunto. O que eu queria escrever era diferente do que escreveu Bárbara Lobo, embora seu convite tenha todo sentido.
Vamos lá. Vou tentar repetir ao coração que é só memória.
No começo deste ano, eu vivi momentos dramáticos, que tiveram muitas consequências, dentre as quais a renúncia de um sonho. Ninguém me obrigou, eu decidi renunciar. Todavia, no exato momento em que eu encarava um sofrimento só parecido com o de anos atrás, quando um médico disse para mim que eu jamais seria mãe, duas pessoas queridas conquistavam vitórias retumbantes: uma delas, no terreno profissional e outra, na vida familiar. Lembro-me bem que no exato dia em que uma dessas pessoas comemorava a realização de um sonho acalentado por anos e recebia em sua casa um tesouro em forma do maior amor de sua vida, eu fazia a minha renúncia. É possível que tudo tenha transcorrido quase no mesmo intervalo de tempo! Eu não tive na hora a percepção da ressonância disso.
Pouco tempo depois, quando a minha decisão foi definitivamente estabelecida, eu vivi a satisfação pela vitória dessas duas pessoas. Sei, porém, que eu poderia ter enveredado por outro caminho: o da inveja. Eu poderia ter me revoltado, eu senti esse sentimento chegar bem perto... Então, recorri à minha única virtude, a única que realmente reconheço em mim: a disciplina. Uma vez ouvi de uma pessoa encantadora que eu sou a única pessoa que ela conhece que marca encontro consigo mesma e não falta. Acho que essa pessoa encantadora encontrou um jeito bonito e meio engraçado de dizer que sou disciplinada. Não vou fazer mais propaganda dessa virtude, só vou dizer que ela foi tábua de salvação.
É claro que o fato de eu gostar demais dessas pessoas que viviam momentos incríveis foi fundamental. Uma dessas pessoas batalhou muito pela conquista profissional. Ao longo de um ano foi tecendo seu projeto, fazendo as demandas, na incerteza econômica que já nos rondava. A outra conseguiu reunir pela primeira vez na vida as condições para trazer a sua filha ao seu convívio e foram anos de espera.
Quando tive clareza disso e assumi a minha renúncia – que nada teve a ver com a diminuição da tristeza, pois ela estava muito longe de arrefecer –, eu fiquei imaginando as minhas pessoas queridas: seus sorrisos, seus lágrimas de alegria, suas conquistas... essas imagens misturadas com meu amor por elas foi me enchendo de... esperança, uma surpresa! O mundo não tinha sido arrasado porque eu vivia momentos dramáticos. Elas estavam ali para me dizer que era possível a felicidade existir, depois da sua grande espera, de todo o seu esforço. Cheguei a essa verdade antes de poder escrevê-la.
Ao longo do ano, disse em vários momentos em sala de aula que a História me dá esperança. Antes da minha dor, eu tinha escrito isso no Diálogo sobre o tempo, afinal até a Guerra dos Cem anos (!) acabou um dia... Tenho pouco apego pelo que eu escrevo (de verdade), mas preciso acreditar que o que eu escrevo é expressão do mais autêntico pensamento que pôde virar palavra. Eu me vi na necessidade de confiar em mim.
Entre a experiência feliz daquelas duas pessoas que referi e o que escrevi no livro com meu amigo Jelson, havia um espaço que preenchi com a observação de outras felicidades à minha volta. Uma outra amiga me revelou que vivia um grande amor! Mas não era tudo. Quando se tem filhos, a primeira coisa que a gente aprende é pedir ajuda e a segunda é prosseguir. Se eu joguei para longe a possibilidade da inveja, não podia entronizar o egoísmo.
Não sei se o desenvolvimento desse texto trouxe algo de muito original ao tema da esperança, mas o que funcionou para mim foi enfrentar com disciplina a desesperança, ou seja, colocar diante de meus olhos de forma insistente, a felicidade alheia.
Um desvio rápido. Eu já dei muitas risadas, até parar de rir por completo, de como a desgraça dos outros ameniza a nossa... Ex.: quando alguém atrasa uma tarefa e outra pessoa também está atrasada, uma delas afirma: ai que bom que vc também não conseguiu terminar! Quantos de nós já não ouvimos algo semelhante? Quando de nós já não dissemos isso?... Há algum parentesco entre essa solidariedade na desgraça e a necessidade de uma disciplina para encontrar esperança. A felicidade dos outros deveria nos animar da mesma forma ou mais que o seu fracasso nos dá alívio...
A História é movimento, transformação no tempo. Não há estados permanentes de nada e não estou aqui nem defendendo nem refutando fluidades baumânicas, mas reconhecendo que o movimento é vida.
Eu fui muito triste em 2016, mas não fui para sempre. Fui até feliz. Realizei sonhos. Um deles, no sábado passado. Lancei Menina com brinco de folha em Curitiba, abracei amigos e vi a felicidade estampada em seus rostos. A causa era eu! Eu ouvi coisas inacreditáveis de pessoas que largaram compromissos ou que levaram seus amores para comprar um livro em que compareço pela primeira vez como autora de ficção!  Ora, não só é possível ter esperança quando alguém que amamos ou que imaginamos está feliz, é possível ser a razão da felicidade alheia. É preciso ainda mais disciplina, disciplina de gratidão.
Em 9 de janeiro de 2017, eu vou lembrar da renúncia que fiz, mas se houver um janeiro de 2017 para mim, devo lembrar que sobrevivi e que em um dia de dezembro, semanas antes, consegui finalmente terminar um texto sobre ter esperança.

Queridos leitores, o blog entra em férias até o final de janeiro. Isso não significa que vou deixar de escrever, significa apenas que as atualizações serão mais erráticas. Desejo a todos um Natal alegre, de abraços apertados e beijos demorados, e um Ano Novo de renovada coragem e esperança.



Em Menina com brinco de folha, a existência da joaninha amarela é uma das primeiras descobertas do menino com a menina. Sei que há um inseto chamado Esperança, mas acho que a Joaninha amarela tem Esperança como sobrenome...

Dica: Como leitura de férias, sugiro a obra Esperanças de Paolo Rossi.