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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Literistórias entrevista o poeta marabense AIRTON SOUZA. Confira!

Airton Souza nasceu em Marabá, no Pará, em 23 de março de 1982. É um ano mais novo que minha irmã caçula e por 3 dias não é do signo de peixes, igual à minha mana. Poeta e professor, possui 27 livros publicados. A formação de Airton está entre a História e as Letras. É licenciado em História, pós-graduado em Metodologia do Ensino de História, licenciado em Letras – Língua portuguesa, pela UNIFESPA – Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará e Mestrando em Literatura pela UNIFESSPA. É membro de diversas academias de Letras e instituições literárias, entre elas a ALSSP – Academia de Letras do Sul e Sudeste Paraense, cadeira nº 15, patrono o poeta Max Martins. Possui uma intensa atividade voltada à promoção do livro e da leitura, como a realização de saraus e encontros literários entre escritores e leitores.  Já venceu prêmios literários importantes, entre os quais se destacam: menção honrosa no Prêmio Proex de Literatura, Prêmio Cannon de Poesia, menção honrosa no Prêmio LiteraCidade, com o livro Face dos disfarces, primeiro lugar no Prêmio Dalcídio Jurandir de 2014, um dos mais importantes da Estado do Pará, com o livro de poemas Ser não sendo, um dos vencedores do IV Prêmio Proex de Arte e Cultura, com o livro de poemas manhã cerzida, em 2015 venceu prêmios literários importantes, entres eles o III Prêmio de Literatura da UFES, promovido pela Universidade Federal do Espírito Santo, com o livro de poemas Cortejo & outras begônias e o Prêmio Nacional Machado de Assis, promovido pelo Canal 6 Editora, de São Paulo.
Airton é casado com Leonice Souza e pai de Leonardo Souza. A imagem que escolhi para esse post foi feita por Leonardo, que captou o pai em entrevista concedida ao grupo RBA, afiliada a Band, sobre a fundação da Academia de Letras do Brasil e sua importância para a região do Sul e Sudeste do Pará. Eu tenho particular afeição pelas imagens que minha filha faz de mim... e como Airton me deixou escolher, acho que vai aprovar a minha escolha!

LITERISTÓRIAS: Airton, o que é a Barraca Literária?
Airton: Bem, a Barraca Literária nasceu como Tenda do Escritor Marabaense, que visava integrar uma rede de autores de Marabá, para em uma tenda nas praças públicas da cidade expor seus livros e, sobretudo, promover a venda desses livros. A ideia não funcionou porque os autores não participaram ativamente da Tenda. Desse projeto, surgiu então a ideia de criar a Barraca Literária, que já vai completar dois anos em atividade. Trata-se de uma barraca onde exponho todos os livros que publiquei para vender nas praças de Marabá aos domingos e feriados. Apesar de cumprir uma função mais comercial, não deixa de ser um espaço para mostrar a produção literária de mais de 16 anos de publicações, que resultou hoje em mais de 26 livros publicados e diversas antologias organizadas.
Existem outros projetos que coordeno, entre eles está o Projeto Tocaiunas que é hoje o maior projeto de literatura independente da Amazônia. Já conseguimos publicar mais de 45 autores, com a tiragem dos livros que ultrapassou os 16 mil exemplares. Livros que são comercializados a R$ 5 e que têm o formato bolso. Tudo pensado para incentivar a produção literária e principalmente a leitura, por meio do livro acessível, de baixo custo.

LITERISTÓRIAS: Airton, fale um pouco sobre a poesia de Marabá. Existe uma poesia “de Marabá”? Fale um pouco sobre o seu trabalho como organizador de antologias.
Airton: Na verdade o que estamos criando por aqui, por meio de diversos projetos é um coletivo, que visa além de valorizar a produção dos autores de Marabá, buscar mostrar que Marabá é um espaço onde existe literatura. Nossa terra ficou muito conhecida pelo alto índice de violência, principalmente na década de 80 em diante, devido aos fortes ciclos econômicos existentes por aqui. Na década de 80, por exemplo, tínhamos em nossa geografia a maior jazida de ouro a céu aberto do mundo, o Garimpo de Serra Pelada.
Se fôssemos mapear a literatura marabaense e aferir quantos autores estão publicando, acho que hoje estaríamos com certeza com um número que chegaria a ultrapassar cem, o que é um número expressivo levando em consideração diversos aspectos, entre eles: as condições culturais e econômicas, ou seja, grande parte das publicações é independente, custeada pelos próprios autores, pois não há incentivo algum, por se tratar de um espaço em que a violência ainda é muito latente, além de estarmos em um espaço periférico do país e onde a leitura, por parte do poder público, nem de longe parece ser prioridade.
Como organizador de antologias, eu criei um projeto anual que denominamos de Anuário da Poesia Paraense, que tenta publicar um grande número de poetas paraenses; a antologia Mandala que é uma publicação nacional, aberta para poetas do país inteiro e diversas antologias resultantes das oficinas que de vez em quando ministro em escolas públicas da cidade de Marabá.

LITERISTÓRIAS: Airton, você é um poeta premiado. Qual é a importância dos prêmios literários, em geral, e para você, em particular?
Airton: Eu sempre procuro enxergar o lado bom dos prêmios literários. Só para constar, antes de vencer um dos principais prêmios de literatura do Estado do Pará, que é o Prêmio Dalcídio Jurandir, diversos poetas nunca tinham falado comigo. Ao vencer o prêmio, até essa relação mudou. Mas, para falar a verdade, eu encaro os prêmios literários por duas ópticas, que são elas: resistência e oportunidade. Entendo sempre os prêmios literários como o nosso espaço de resistir e existir e como uma grande oportunidade de colocar nosso trabalho à prova de outros olhos e sentimentos.
Quando eu chego a vencer um prêmio literário eu sempre coloco entre meu nome o de minha terra. É sempre uma vitória minha, em particular, e de minha cidade, que acaba também por ganhar uma notoriedade. Também os prêmios literários, às vezes me fazem acreditar que somos capazes de algo. Não que seja para mim o essencial, vencer prêmios, pois, por incrível que pareça, nunca me inscrevi em um prêmio literário confiante de que seria vencedor, sempre penso no pior (muitos risos).
Mas eu estou convicto de minha literatura. Gosto do que estou escrevendo nesse momento. Por isso, nenhum prêmio literário me fará mudar o caminho ou me motivará a escrever fora de minhas convicções literárias.

LITERISTÓRIAS: Airton, você é um leitor voraz. Quais são os seus poetas?
Airton: Eu vivi uma história triste com a leitura. Uma das mais tristes histórias que se possa imaginar. Só para ser ter uma ideia, no tempo em que eu estudei, isso até o segundo grau, nem mesmo meus professores tinham livros didáticos para trabalhar. Lembro que lá no ensino fundamental, por exemplo, grande parte de meus professores tinha os assuntos escritos em cadernos, tipo brochuras, e olha que nem sou tão velho assim. Mas, foram tempos difíceis, em que meus pais não tinham a possibilidade de escolher entre comprar ou não livros para nós. O que ganhavam trabalhando compravam milharinas para fazer cuscuz para as jantas e café da manhã e carne, feijão, farrinha e arroz para o almoço.
A minha história com os livros e essa postura que me possibilitou a tornar-me um leitor só seu deu perto de meus 30 anos de idade e, por isso agora o que faço com a leitura é pelo menos tentar correr atrás do prejuízo pelos longos dias sem ter a oportunidade de ler. Por isso mesmo, leio cerca de três a quatro livros de uma vez. Eu reconheço que preciso correr atrás desse prejuízo. E, não só por isso, mas principalmente porque a leitura hoje é um vício em minha vida.
Quando você me pergunta quais são os meus poetas, eu preciso responder que são todos, assim como são todos os romancistas, os contistas, os escritores de livros infantis, o livro de um modo geral. Eu procuro tirar de minhas leituras coisas para os dias de minha vida. Procuro aplicar o que leio em minha vivência no mundo. Na leitura encontro as respostas de que necessito para viver.

LITERISTÓRIAS: Airton, complete esse desafio: fazer poesia no Brasil é ...
Airton: Eu costumo dizer que a poesia se tornou, na história da literatura brasileira, uma espécie de margem, isso em relação aos demais gêneros. Já ouvi professores de língua portuguesa dizerem que não gostam de ler poesias, pelo simples motivo de não entender nada. Acho que eles não aprenderam a lição essencial para quem quer realmente ler poesia: não é no sentido que está o segredo, mas no sentir. Até mesmo na repulsa ao ler qualquer poema está a verdadeira chave do sentido da poesia.
Penso que fazer poesia no país envolve uma questão tão complexa, porque quem escreve sabe o quanto ela é essencial na/para a vida das pessoas. Essa complexidade de fazer a poesia no Brasil envolve uma série de questões que não consigo explicar exatamente. O certo é que a poesia sempre será feita por aqui, aconteça o que acontecer. Isso sim, eu tenho certeza.
“(...)
atravessar
é sempre tragicômico
ainda mais quando
não se tem uma mão
a que segurar
para o gesto da ida” (pág. 33)

“(...)
lança-te sem medo
é preciso encorajar
tua pele para o desconhecido” (pág. 56)

“(...)
enrijecido sustenta passados
medita sobre o presente
tem pelo futuro
um pasmo assombroso
que alimenta o escuro

te inquieta muro
o mundo não arfa baldrames.” (pág. 61)



(Alguns de meus versos favoritos de Cortejo & outras begônias, vencedor do III Prêmio EDUFES de Literatura na categoria poesia. Esse prêmio me deu muitas coisas, deu-me a possibilidade de publicar Menina com brinco de folha!, e uma dos mais significativos presentes foi conhecer a obra de Airton Souza! Escolhi fragmentos e poucos, pois não pedi ao poeta licença para publicar poemas inteiros).


segunda-feira, 8 de agosto de 2016

A primeira resenha do romance Menina com brinco de folha

Prólogo:
Outro dia, recebi por e-mail uma leitura muito afetiva do meu livro Menina com brinco de folha. Pedi à autora do texto para publicar aqui no blog. Ela deixou!

Menina com brinco de folha

     Engana-se quem pensa que folhas caem! Elas deslizam no ar buscando um repouso, ora perdido já que a árvore as libertou. As folhas podem se acomodar no chão e, então, serem contempladas pelos que admiram suas mudanças de tons, ou pisoteadas pelas crianças que se divertem com os ruídos das folhas secas, que soltam gar-galhadas. Às vezes, porém, são varridas, sem graça nenhuma. Outras folhas, também, podem virar livros, brincos e coleção. E foram essas que deslizaram sob meus olhos quando li Menina com brinco de folha, de Marcella Lopes Guimarães.
     O livro me conquistou criança. Criança que tem curiosidade sobre as pessoas, sobre as palavras, sobre as formas. Criança que descobre o que é a saudade, o que é a perda, o que é a leitura. E é nessa dança entre curiosidade e descoberta que o personagem menino – cujo nome a autora deixa a cargo do leitor, o qual, distraidamente, nem sente sua falta e, em um primeiro momento, pode considerar qualquer menino, mas diante do “o” consegue enxergá-lo como o personagem do livro sem perdê-lo narrativa adentro – encontra nas folhas o caminho da amizade e, consequentemente, da saudade da menina – também sem nome, mas com a propriedade “com brinco de folha” que a destaca como a amiga especial, dentre os colegas do menino.                                                                                                 
     Também me conquistou adulta. Adulta que, por vezes, busca o ponto de vista da criança para lembrar-se de suas memórias. As reflexões do menino sobre a perda e a saudade, embaladas na voz do narrador, são para nós um acalanto. Compreendemos muito bem o que é voltar a ser menina, após um abraço de vó. Lembramo-nos do que é ficar triste quando chegam as férias – algo que hoje, para nós, é um alívio esperado. Voltamos a prestar atenção em coisas que, por vezes, nós varremos, sem graça nenhuma. Enfim, por isso, Menina com brinco de folha também é um livro para adultos, uma vez que nos provoca a ver o mundo de outra forma, aquela que deixou um rastro que guardamos e, às vezes, esquecemos e precisa ser recuperado com um livro.
     Entretanto, sobretudo, o livro me encantou linguista. A autora brinca com a descoberta dos significados das palavras pelas crianças. Mas não só com essa descoberta como também com a capacidade das crianças as ressignificarem. Basta observar o que o menino faz com a inspiração e com a ciência (não contarei aqui para não interferir na leitura). Em alguns momentos, o jogo com as palavras vira estratégia de retomada de referentes destacados da história e, dessa forma, de condução da narrativa. E é isso que destaca a obra, entre outras produzidas para crianças. Marcella não segue a tendência de adaptar a linguagem para “ensinar” a criança-leitora, mas sim busca diferentes formas para provocá-la, em outras palavras, para mostrar à criança do que a linguagem é capaz e o que nós, falantes, somos capazes de fazer com a linguagem.
     Menina com brinco de folha é o primeiro livro infantil publicado pela autora. Embora já tenha publicado tantos outros, é com este que Marcella acrescenta ao conjunto de sua obra, que lhe faz historiadora, medievalista, crítica literária, professora, contista (esqueci algum?), a graça da mãe e da menina – que recebeu o prêmio da editora EDUFES com o mesmo entusiasmo e surpresa que o menino, quando encontrou a menina na praia durante as férias.
     E é com esses encantos que, no livro, Marcella trata da amizade, do amor, da história, do futuro, do tempo. Ops! Já li isso em algum lugar... No Diálogo sobre o tempo, a autora debate sobre esses temas, enquanto aqui ela os coloca numa narrativa infantil. E (provocando-te, Marcella), embora o livro anterior tenha sido um diálogo, Menina com brinco de folha está mais vivo! Depois dessa, vocês podem pensar que conheço Marcella de perto. Engano. A conheço de verbo (ou de inspiração). Logo, recomendo: a leitura das duas obras. São pontos de vistas diferentes, sensações diferentes, sobre os temas mencionados. Nesse sentido, não me admiraria encontrar o livro da menina, que leitores criteriosos premiaram como livro infantil, numa prateleira de livros para adultos. Ou sem classificação alguma. Afinal, o tempo e as folhas pairam e repousam sobre todas as idades.
Denise Mazocco


Epílogo:
Quem é Denise Mazocco?
Denise Miotto Mazocco é formada em Letras (PUCPR) e em História (UFPR); é Mestra em Letras (UFPR) e faz Doutorado na mesma área (UFPR). Foi minha aluna na UFPR, brilhante aluna! É já uma contista de mão cheia e toca o blog prosadomingueira, em que compartilha mostras do seu talento: https://prosadomingueira.wordpress.com/
Participa do clube do livro, consagrado à leitura de Em busca do tempo perdido de Marcel Proust, e atua como Professora de Língua Portuguesa na UTFPR.


Ainda não fizemos o lançamento do livro em Curitiba... Mas quem não puder esperar rsrsrsrs, pode adquirir o livro pelo site da editora (como Denise Mazocco fez!): http://www.edufes.ufes.br/items/show/382

Denise Mazocco sendo menina com brinco de folha... 

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Quer comprar "Menina com brinco de folha"?

É possível comprar pelo site da EDUFES!

A quarta capa é da Profa. Marta Morais da Costa (membro da Academia Paranaense de Letras) e a orelha da Profa. Marta de Senna (Pesquisadora da Fundação Casa de Rui Barbosa), leitoras tão especiais da "Menina"! As ilustrações são da amiga Edna Rojane Druciak.

Estou louca para saber as opiniões de meninas e meninos de várias idades...